domingo, 1 de novembro de 2026

Reduzir a maioridade penal ou levar a socioeducação a sério?

 

Por  Edno José Osório de Araújo*

O debate em torno da PEC da Segurança Pública trouxe novamente à tona uma das questões mais controversas da sociedade brasileira: a redução da maioridade penal. O que chama atenção é a aproximação entre diferentes campos políticos em torno dessa proposta. Enquanto setores conservadores defendem há anos a redução, chegando a propor a responsabilização penal a partir dos 14 anos em determinadas situações, setores progressistas também passaram a admitir a possibilidade de redução para 16 anos nos casos de crimes considerados hediondos. 

É preciso perguntar: quando posições políticas tão distintas convergem justamente na antecipação da punição penal, não estamos diante de uma perigosa simplificação de um tema tão complexo? A segurança pública exige respostas concretas, mas não pode ser conduzida exclusivamente pela pressão popular ou pelo apelo eleitoral. Precisamos de um debate fundamentado, que considere as consequências sociais, institucionais e humanas dessas decisões. 

Falo dessa questão não apenas como cidadão, mas também a partir da minha experiência profissional como Agente Socioeducativo. O cotidiano de trabalho com adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas permite enxergar questões frequentemente ausentes dos debates públicos: as dificuldades do sistema, suas contradições, seus limites e, sobretudo, as possibilidades ainda não exploradas. 

Minha posição é contrária à redução da maioridade penal, não por considerar irrelevantes os atos infracionais ou defender a impunidade, mas porque entendo que, antes de transferirmos adolescentes para o sistema prisional adulto, precisamos discutir por que não conseguimos fazer funcionar plenamente a política socioeducativa construída pela legislação brasileira. 

A questão central deveria ser objetiva: estamos levando a sério a socioeducação? O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) estabeleceram uma política que não representa ausência de responsabilização. As medidas socioeducativas possuem caráter sancionatório e pedagógico. O adolescente deve responder pelo ato praticado, compreender sua gravidade e vivenciar as consequências de suas escolhas. A diferença é que essa responsabilização precisa considerar sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento e oferecer possibilidades reais de transformação. 

Entretanto, existe uma contradição dentro da própria política socioeducativa. Em determinados espaços institucionais, parece haver dificuldade em reconhecer a importância da disciplina, da autoridade e dos limites no processo educativo. Por vezes, a garantia de direitos é interpretada equivocadamente como incompatível com a exigência de responsabilidades, como se estabelecer regras e cobrar seu cumprimento representasse necessariamente autoritarismo. 

Precisamos superar essa compreensão. Disciplina não é violência, autoridade não é autoritarismo e estabelecer limites não significa desrespeitar direitos. Uma instituição que pretende educar precisa de regras claras, organização, referências de autoridade e consequências coerentes. Acolher não significa permitir tudo, assim como garantir direitos não significa abrir mão de deveres. 

Essa reflexão também precisa alcançar o reconhecimento do papel dos Agentes Socioeducativos. A socioeducação não acontece somente nos atendimentos psicológicos, sociais e pedagógicos. Ela também se desenvolve no cotidiano das unidades, na mediação de conflitos, nas orientações, na organização dos espaços e nas relações estabelecidas entre profissionais e adolescentes. 

O Agente Socioeducativo não pode ser reduzido à função de vigilância ou contenção. Sua atuação integra o processo socioeducativo e de responsabilização. Para desempenhá-la adequadamente, precisa de formação continuada, condições dignas de trabalho, reconhecimento profissional e respaldo institucional. Não é possível exigir uma socioeducação efetiva enquanto se desconsidera a importância dos profissionais diretamente envolvidos em sua execução. 

Outro aspecto fundamental é melhorar a aplicação das medidas socioeducativas. Não basta defender o ECA e o SINASE no discurso enquanto convivemos com unidades sem estrutura adequada, projetos pedagógicos frágeis, equipes insuficientes e dificuldades de articulação com outras políticas públicas. A responsabilização não pode ser meramente burocrática ou limitada ao cumprimento de um período de internação. 

É necessário investir em acompanhamento individualizado, escolarização, profissionalização, atividades culturais, esporte, fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e construção de projetos de vida. Também precisamos avaliar se essas intervenções produzem avanços concretos na responsabilização e na prevenção da reincidência. 

O que não podemos fazer é transferir para os presídios a responsabilidade por aquilo que não conseguimos realizar nas unidades socioeducativas. A redução da maioridade penal pode representar a admissão de um fracasso institucional: em vez de corrigirmos as deficiências de uma política pública, encaminhamos adolescentes ao sistema penal adulto. Mudamos o lugar da punição, mas não necessariamente enfrentamos as condições que contribuem para a reprodução da violência. 

Além disso, não podemos ignorar os riscos de inserir adolescentes cada vez mais jovens em um sistema prisional marcado por graves problemas estruturais e pela presença de organizações criminosas. A antecipação do encarceramento pode aprofundar trajetórias de exclusão, ampliar vínculos com redes criminosas e dificultar a reinserção social. A segurança pública precisa considerar não apenas a resposta imediata ao ato infracional, mas também as consequências futuras das decisões institucionais. 

Nesse contexto, existe uma discussão que considero mais pertinente e que deveria receber atenção do Congresso Nacional: o aperfeiçoamento dos instrumentos e dos limites temporais das medidas socioeducativas. 

Atualmente, o ECA estabelece o prazo máximo de três anos para a medida de internação. É legítimo discutir se esse limite, em determinadas situações, é suficiente para desenvolver um processo consistente de responsabilização, especialmente diante de atos infracionais de extrema gravidade. Por que não promover um debate com especialistas, pesquisadores, trabalhadores do sistema, instituições de defesa de direitos e representantes da sociedade? 

Não se trata de defender uma internação indefinida ou transformar a socioeducação em reprodução do sistema prisional. Trata-se de avaliar, com fundamento técnico e científico, se os instrumentos atuais respondem adequadamente às diferentes realidades. Qualquer eventual ampliação precisaria estabelecer critérios objetivos, avaliação individualizada, garantias processuais e revisão periódica, respeitando os princípios da brevidade, excepcionalidade e condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

 Em vez de antecipar a idade penal, podemos aperfeiçoar a responsabilização dentro do próprio sistema socioeducativo. Em vez de transferir adolescentes para os presídios, podemos fortalecer as instituições responsáveis por trabalhar suas trajetórias. E, em vez de transformar a redução da maioridade penal em resposta política à insegurança, podemos discutir quais intervenções produzem melhores resultados na prevenção da reincidência e na reconstrução de possibilidades de vida. 

É justamente por isso que a convergência entre setores conservadores e progressistas em torno da redução da maioridade penal merece ser questionada. A segurança pública não pode se resumir à disputa por quem apresenta a proposta de punição mais severa. Tampouco o campo progressista deve abandonar a discussão sobre responsabilização por receio de enfrentar um debate difícil ou contrariar expectativas de determinados segmentos da sociedade. 

Precisamos sustentar uma posição que não se confunda com impunidade, mas que também não aceite a ideia de que punir mais cedo significa necessariamente produzir mais segurança. A responsabilização precisa ser efetiva, e isso exige medidas bem executadas, instituições preparadas e profissionais valorizados. 

Como Agente Socioeducativo, conheço as dificuldades e os desafios do trabalho nas unidades. Sei que existem adolescentes com trajetórias marcadas por graves violações de direitos e outros que praticaram atos de extrema violência. Não ignoro a dor das vítimas e de suas famílias. Entretanto, uma política pública não pode ser avaliada apenas por sua capacidade de punir, mas também por sua capacidade de responsabilizar, prevenir novas violências e produzir mudanças concretas. 

A redução da maioridade penal pode oferecer uma resposta política aparentemente imediata, mas não substitui a necessidade de construir uma política de segurança pública baseada em evidências, planejamento e responsabilidade institucional. 

Talvez a pergunta mais importante não seja quantos anos um adolescente deve ter para entrar em um presídio, mas por que ainda não conseguimos fazer com que a socioeducação cumpra integralmente sua finalidade. 

Não precisamos antecipar a entrada dos adolescentes no sistema prisional. Precisamos aperfeiçoar o sistema socioeducativo, fortalecer sua estrutura e reconhecer que educar também significa estabelecer disciplina, cobrar responsabilidades e oferecer oportunidades reais de transformação. 

Antes de reduzir a maioridade penal, precisamos levar a socioeducação a sério. A sociedade precisa de mais responsabilização, não simplesmente de mais encarceramento.


*Agente socioeducativo do Lar do Garoto,  unidade  socioeducativa  que funciona  em Lagoa Seca

Vinculada à Fundac

Dentre quatro revistas nacionais a NORDESTE produziu a melhor capa e conteúdo sobre a vitória de Lula e o futuro do País





 Após a histórica e inquestionável vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições do 25 de outubro, registramos aqui as capas de quatro revistas de circulação nacional, todas com abordagem dos resultados do pleito do segundo turno. Três das quatro revistas fazem leitura positiva da reeleição de Lula, uma fala em malandragem eleitoral.

Eu fico com a capa das outras três  revistas, a começar com a Revista Nordeste, publicação do multimídia Walter Santos, no mercado há 20 anos. Eu vi o nascer desta conceituada revista que logo se firmou no mercado nacional. Um case de sucesso de nossa Paraíba.

A manchete da edição da Revista Nordeste AVANÇA UM NOVO BRASIL - como e porque o Nordeste lidera vencendo com Projetos a mudar rumos, aponta para um futuro promissor com o presidente Lula em seu quarto mandato. Destaca ainda na editoria Política os planos para 2027 e os anos seguintes. Em Digital, aponta que o Brasil mostra ao Mundo as inovações nesse campo. A capa da Revista Nordeste traz também a matéria MÍDIA - ANER aponta os desafios das revistas.

Na minha leitura a Revista Nordeste produziu um conteúdo mais abrangente, sua capa nos passa essa ideia, focou em pautas afins, leva o leitor a melhor se informar sobre esse momento pós eleição. Do ponto de vista editorial seu olhar foi mais além, supera as demais manchetes das concorrentes.

A histórica revista Veja se rende à vitória de Lula, traz o presidente com punho fechado e a manchete: O quarto ato.Fala sobre a virada histórica e a respeito dos enormes desafios sobretudo na economia e na segurança.

A resistente e respeitada revista FÓRUM emplaca: "L" de Lula se espalha pelo Mundo - o significado da vitória histórica contra a extrema direita. Explora bem o fato do "L" de Lula conquistar movimentos, ganhar força internacional. 

A quarta revista, a OESTE com a manchete MALANDRAGEM ELEITORAL, no meu entendimento, equivocada, pois a própria justiça eleitoral oficialmente reconheceu a lisura do pleito e a maioria dos partidos, inclusive de direita, também. Não houve fraude, o que aconteceu nesse país foi uma revolução, uma reação à ameaça da extrema direita que instalaria o caos, entregaria nossas riquezas, abalaria nossa democracia e nossa soberania. 

Por fim, nota 10 à revista NORDESTE pela agenda mais ampla, produziu o conteúdo mais rico, leva o leitor à leitura mais dinâmica do ponto de vista editorial. Uma sacada de mestre do editor.

Por Josélio Carneiro

sábado, 31 de outubro de 2026

Projetos Canoa dos Camarões Cultural e Pintura & Poesias celebram vinte edições no próximo sábado, 7 de novembro

 


 

Os projetos Canoa dos Camarões Cultural e Pinturas & Poesias,  celebram no sábado 7 de novembro, a partir das 20 horas, as vinte edições de encontros e exposições que promovem a integração de artes visuais, poesia, literatura, música, arquitetura e gastronomia.

A exposição Pinturas & Poesias 2024 -2026 acontecerá no Restaurante-Galeria Canoa dos Camarões, situado à avenida João Maurício, 121, Manaíra, João Pessoa. O público poderá visitar os trabalhos expostos no período de 7 de novembro a 5 de dezembro. O evento será uma confraternização com artistas, poetas, escritores, músicos e demais atores que ajudaram a construir essa bela trajetória cultural.

Idealizados pelo poeta e advogado Boisbaudran Imperiano (coordenador), pela empresária Lúcia Lyra e pelo artista plástico e arquiteto Antonio Cláudio Massa (Curador das exposições), “os projetos nasceram com o propósito de aproximar expressões criativas e estimular novas formas de interação entre arte e sociedade”, revela Antonio Massa. Os organizadores convidam você a marcar presença e escrever mais uma página da memória viva da produção artística paraibana contemporânea.

Em cada edição da exposição Pinturas & Poesias, uma personalidade é homenageada. O primeiro agraciado foi o poeta repentista e cantador Oliveira de Panelas.

Na noite deste 7 de novembro a homenagem é para o jornalista Giovanni Meireles, que receberá certificado de Honra ao Mérito por sua contribuição à cultura e à comunicação paraibanas. Giovanni foi secretário de Comunicação no governo José Maranhão. Atualmente é redator sênior e consultor de marketing institucional na Casa Civil do Governo da Paraíba. Os participantes das edições anteriores também receberão certificação. De acordo com Boisbaudran Imperiano, no terceiro momento do evento haverá sarau poético.



sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Mar Vermelho transforma resíduos do litoral em alerta artístico




Exposição de Cristina Strapação abre em 31 de outubro, na Estação Cabo Branco, e reúne pinturas, documentário, fotografias e instalação com materiais retirados das praias da Ponta do Seixas e da Penha.


Há mais de duas décadas, Cristina Strapação observa o mar de João Pessoa da própria casa, na Ponta do Seixas. Ao longo dos anos, a paisagem que inspira sua pintura também passou a revelar outro cenário: garrafas, embalagens, cordas, pneus e pedaços de embarcações trazidos pela maré. Dessa convivência nasceu “Mar Vermelho”, exposição que transforma a beleza e os sinais de degradação do litoral em matéria de reflexão. A abertura será em 31 de outubro de 2026, às 16h, na Estação Cabo Branco, com entrada gratuita.


A mostra reúne pinturas a óleo sobre tela, um documentário, uma projeção de fotografias e uma instalação composta por resíduos encontrados na orla. O título surgiu de uma escolha cromática da artista: em algumas telas, os azuis, verdes e brancos habituais dão lugar ao carmim e ao vermelho. A água parece sangrar — imagem que associa a força da paisagem às marcas deixadas pela ação humana.


O documentário aborda a situação ambiental das praias da Ponta do Seixas e da Penha, com depoimentos de pessoas próximas à questão. As fotografias registram o lixo acumulado nesses trechos do litoral, enquanto a instalação apresenta objetos recolhidos durante uma ação de limpeza. A iniciativa foi realizada em parceria com o Espaço Oceano, o InPact, a Associação Guajiru, o Movimento Esgotei e moradores da região.


Em “Mar Vermelho”, a arte não se limita a representar a natureza: ela chama atenção para uma crise que já faz parte da paisagem cotidiana. A exposição propõe ao público uma reflexão sobre consumo, descarte e a relação que mantemos com o mar. “O mundo que a gente quer depende do que a gente faz”, resume Cristina.


Da observação à tela


O processo da artista começa caminhando pela praia. Cristina fotografa, escolhe imagens, faz esboços e só então inicia a pintura. Em suas telas, aplica camadas finas e transparentes de tinta, sobrepostas com paciência até alcançar o efeito desejado. Uma única obra pode levar meses para ficar pronta.


Na nova exposição, esse método encontra uma tensão particular: as pinturas partem de uma paisagem idealizada, mas convivem com o cenário real que a artista encontra ao sair de casa. Entre a água retratada e os resíduos recolhidos, a mostra aproxima contemplação e denúncia, convidando o visitante a olhar novamente para o litoral.


O projeto também prevê oficinas para alunos da rede municipal de ensino, conduzidas por Gabriel Silva, e uma mesa-redonda sobre a situação ambiental da costa e possíveis caminhos de ação. A equipe reúne Leandro Ribeiro na produção de fotografia e audiovisual, Jorge Bweres na expografia e iluminação, Ilson Moraes na curadoria e Catarina Strapação na produção executiva.


Uma trajetória ligada à paisagem


Nascida em Curitiba, em 1959, Cristina Strapação cresceu em um ambiente quase rural, entre a horta da mãe, ninhos de passarinho e a argila que recolhia em um riacho para criar pequenos objetos. Formou-se em Serviço Social, mas direcionou sua trajetória às artes visuais, com estudos de desenho e pintura em Curitiba e formação em restauração, anatomia e vitral em Barcelona.


Desde que se mudou para João Pessoa, em 2003, o mar tornou-se seu principal campo de pesquisa. Ao longo da carreira, expôs no Paraná, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em São Paulo, além de Itália, França, Portugal e Espanha. Entre seus reconhecimentos estão a premiação do SESC Paraíba, em 2025; o prêmio em pintura do Edital André Rebouças, da Fundação Palmares, em 2022; e os prêmios Hermano José, em 2021, e Amelinha Theorga, em 2020, ambos da Secretaria de Cultura da Paraíba.


Serviço


Exposição:“Mar Vermelho”, de Cristina Strapação  

Abertura: 31 de outubro de 2026, às 16h  

Local: Estação Cabo Branco, João Pessoa (PB)  

Entrada: gratuita  

Instagram: @cristina.strapacao  

Patrocínio:Programa Nacional Aldir Blanc, por meio da Funjope — Fundação Cultural de João Pessoa — e da Prefeitura Municipal de João Pessoa


Hélio Costa 

Diretor de Comunicação da Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo.

Oliveira de Panelas: uma vida que encontrou na cantoria sua própria voz




Antes de ser conhecido como o “Pavarotti dos Sertões”, Oliveira de Panelas era um menino atento aos versos e às cantorias que faziam parte da vida de sua família. Nascido Oliveira Francisco de Melo, em 24 de maio de 1946, no Sítio Contador, em Panelas, no Agreste pernambucano, ele descobriu cedo que a poesia podia ser mais do que palavra: podia ser trabalho, encontro e caminho.


O pai, Antônio Francisco de Melo Filho, gostava de cantoria e foi uma de suas primeiras referências. Ainda criança, Oliveira se aproximou da tradição oral e aprendeu com poetas como Zé Rufino. Aos 12 anos, fez sua primeira apresentação pública; aos 14, já se dedicava profissionalmente à arte. A viola e o improviso passaram a acompanhá-lo por uma trajetória que atravessaria gerações.


Sua voz potente e afinada ajudou a torná-lo uma figura singular entre os repentistas. Mas não era apenas o alcance vocal que chamava atenção. Oliveira levou para os versos assuntos do cotidiano, questões sociais, humor e romantismo — temas que mantiveram viva uma tradição antiga sem deixá-la parada no tempo. No repente, cada desafio exige escuta, agilidade e presença: o verso nasce ali, diante do público, e não pode ser desdito.


Ao longo da carreira, ganhou projeção nacional, participou do Fantástico, em 1974, e teve trabalhos associados a produções cinematográficas. Gravou discos, publicou livros e percorreu palcos e festivais. Entre os reconhecimentos mencionados em sua trajetória estão a vitória no campeonato brasileiro de repentistas, em 1997, e no 1º Desafio Nordestino, em 2001. Também integrou a Academia de Letras e Artes do Nordeste e presidiu a Associação de Cantadores e Poetas Repentistas.


Embora tenha nascido em Pernambuco, foi na Paraíba que construiu parte importante de sua vida e carreira. João Pessoa tornou-se seu lar, e sua contribuição à cultura nordestina foi reconhecida com títulos de cidadania pessoense e campinense, além do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba.


A história de Oliveira de Panelas é também a história de uma arte que depende da memória, da comunidade e da capacidade de criar no instante. Cada cantoria reúne quem canta e quem escuta numa experiência irrepetível: o verso surge, encontra seu público e passa adiante. É assim que uma tradição segue viva — não como lembrança distante, mas como voz presente.


Hélio Costa.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O Brasil venceu, a Nação segue soberana, democrática. Vitória do povo brasileiro

 






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O Mundo, a América Latina, o Brasil, os brasileiros, a Democracia, a soberania de nosso país necessitavam da reeleição do presidente Lula. Aliás, não era justo um dos maiores líderes políticos do mundo, um estadista, perder a mais importante, a mais bela, histórica e última campanha eleitoral de sua trajetória, sobretudo por um adversário que sequer representa a direita. 

O Nordeste ampliou a votação pró-Lula. O presidente, em relação ao 1º turno, conquistou mais 10 milhões e 300 mil votos. O movimento das ruas e a explosão nas redes sociais levaram a esta vitória esmagadora. Os jovens, os trabalhadores, as pessoas idosas, enfim, o eleitorado atendeu ao recado, ao apelo: Salvar o Brasil e os brasileiros, salvar a democracia e a soberania. 

Venceram: Os direitos humanos, os respeito às mulheres, aos idosos, à juventude, às crianças, ao povo brasileiro e latino-americano. 

Os Estados Unidos saibam que o Brasil não é quintal de ninguém. 

Os números dessa eleição dizem mais que palavras. Veja os resultados em João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos e Cajazeiras:















sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A importância das operadoras, agências de turismo e seus agentes na divulgação da essência de um país




As operadoras e agências de turismo desempenham um papel estratégico na promoção de um país. Mais do que comercializar passagens, hospedagens e roteiros, essas organizações aproximam visitantes dos destinos e contribuem para apresentar a diversidade cultural, histórica, natural e social que caracteriza cada território.


As operadoras estruturam produtos turísticos, articulando serviços, experiências e fornecedores locais. Ao elaborar roteiros que incluem patrimônios históricos, manifestações culturais, gastronomia, paisagens e modos de vida, ajudam a transformar os atrativos de um país em experiências acessíveis e organizadas. Essa atuação também pode fortalecer economias regionais, distribuir o fluxo de visitantes e ampliar a visibilidade de destinos menos conhecidos.


As agências de turismo conectam essas ofertas às necessidades e expectativas dos viajantes. Por meio da orientação, da venda e do acompanhamento, ajudam o público a escolher experiências adequadas e fornecem informações que influenciam a percepção do destino antes, durante e após a viagem. A qualidade desse atendimento é relevante: uma comunicação precisa e contextualizada favorece escolhas conscientes e contribui para uma experiência mais satisfatória.


Nesse processo, os agentes de turismo têm papel central. Seu conhecimento sobre destinos, serviços, culturas e condições de visita permite apresentar o país de forma responsável e informativa. Ao recomendar fornecedores locais, explicar costumes e orientar sobre práticas sustentáveis, esses profissionais ajudam a evitar representações superficiais e a valorizar a autenticidade das comunidades visitadas.


A divulgação da essência de um país exige equilíbrio entre promoção e responsabilidade. Não basta destacar imagens atraentes: é necessário respeitar a identidade dos lugares, evitar estereótipos, reconhecer a diversidade interna e transmitir informações confiáveis. A cooperação com comunidades, órgãos públicos e empresas locais favorece uma promoção mais representativa e distribui melhor os benefícios do turismo.


Portanto, operadoras, agências e agentes são importantes mediadores entre o país e seus visitantes. Quando atuam com conhecimento técnico, sensibilidade cultural e compromisso com a sustentabilidade, contribuem não apenas para atrair turistas, mas também para comunicar a riqueza do destino e fortalecer sua imagem de maneira coerente e duradoura.


Hélio Costa 

Diretor de Comunicação da Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo FEBTUR - PB.


Cruz do Reconhecimento do Mérito da Comunicação Nacional da Câmara Brasileira de Cultura - São Paulo.












Reduzir a maioridade penal ou levar a socioeducação a sério?

  Por  Edno José Osório de Araújo* O debate em torno da PEC da Segurança Pública trouxe novamente à tona uma das questões mais controversas ...