II CONAMBRAS transformou a capital
paraibana em ponto de encontro da produção intelectual de policiais e bombeiros
militares de todo o país
João Pessoa sediou, nos dias 2 e 3 de junho, um encontro que ajudou a revelar uma face pouco conhecida das corporações militares brasileiras. Longe dos quartéis e das atividades operacionais, policiais e bombeiros militares de diversas regiões do país estiveram reunidos para discutir literatura, história, ciência, memória institucional e produção cultural durante o II Congresso Nacional das Academias de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal (II CONAMBRAS).
Promovido pela Academia de Letras dos
Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal (ALMEBRAS) e pela Academia
de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba (ALMEP), o congresso aconteceu no
Centro de Educação e Cultura Institucional da Polícia Militar da Paraíba,
reunindo cerca de 150 participantes entre acadêmicos, escritores,
pesquisadores, historiadores e representantes das forças públicas estaduais.
Ao longo dos dois dias, a programação
incluiu conferências, palestras, oficinas, lançamentos de livros, apresentações
culturais, debates sobre patrimônio histórico, preservação da memória, produção
literária, pesquisa científica e fortalecimento institucional.
“Muito embora seja um congresso de
academias de letras militares, tratamos da cultura produzida por escritores,
poetas e pesquisadores das mais diversas áreas. Tivemos lançamento de obras de
poesia, de saúde, de direito e de vários outros campos do conhecimento. O foco
não é apenas o militar, mas a cultura de uma forma geral.”
Segundo ele, um dos principais resultados
do encontro foi a criação de uma rede nacional de intercâmbio intelectual.
“O congresso permite networking cultural,
troca de experiências e aproximação entre academias de diferentes estados. Além
disso, deixa para a sociedade um legado importante: escritores de todo o Brasil
apresentando suas obras e compartilhando conhecimento.”
Atualmente, o Brasil possui 15 academias
de letras militares estaduais. O presidente da Academia de Letras dos Militares
do Brasil e da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares,
coronel Carlos Augusto Furtado Moreira, explicou que o congresso surgiu
justamente para integrar essa produção intelectual.
“O Congresso Nacional das Academias de
Letras vem aglutinar as propostas de literatura, artes e ciências produzidas
por policiais militares e bombeiros militares de todo o país. Realizamos o
primeiro congresso há quatro anos, em São Luís, e agora tivemos a satisfação de
realizar a segunda edição em João Pessoa.”
Furtado também destacou que ainda existe
um equívoco sobre o trabalho desenvolvido pelas academias militares.
“As academias de letras militares não
atuam exclusivamente na literatura militar. Elas também produzem crônicas,
contos, poesias, romances e pesquisas científicas. É uma produção muito mais
ampla do que muitas pessoas imaginam.”
A diversidade temática ficou evidente nos
lançamentos literários realizados durante o congresso. Um dos destaques foi o
livro O Mapa da Pele, do escritor maranhense Pedro Neto, que aborda a
hanseníase por meio da literatura.
A obra acompanha a trajetória de um jovem
que enfrenta a doença e o preconceito, utilizando a narrativa ficcional como
ferramenta de conscientização social.
“Nossa intenção é que o livro não seja
apenas uma obra literária, mas também um instrumento de informação. Queremos
contribuir para ampliar o conhecimento sobre a hanseníase e ajudar a combater o
preconceito que ainda existe em torno da doença”, afirmou o autor.
Produção intelectual e aproximação com
a sociedade
Para o presidente da ALMEP, coronel
Walber Rufino Tavares, o congresso representou um momento de valorização da
leitura, da pesquisa e da produção intelectual dentro das corporações.
“Esse evento deixa para a sociedade e
para os membros das academias um grande momento de reflexão. É um espaço que
fortalece a leitura, incentiva a produção intelectual e valoriza a cultura.”
Segundo ele, o encontro reuniu
literatura, ciência e manifestações artísticas em uma mesma programação.
“Aqui temos lançamentos de livros,
recitação de poesias, apresentações musicais, produção científica e atividades
culturais. É um evento que envolve diferentes formas de conhecimento.”
A mesma avaliação foi compartilhada pelo
vice-presidente da ALMEP, Onivan Elias.
“O principal objetivo do congresso é
estimular policiais militares e bombeiros militares de todos os estados a
desenvolverem suas potencialidades culturais e artísticas, preservando também
os valores históricos e as tradições das instituições militares estaduais.”
Para o coronel Anchieta Rodrigues, do Rio
Grande do Sul, fundador da ALMEBRAS, a produção intelectual desenvolvida por
militares ainda é pouco conhecida pela população.
“Queremos mostrar à comunidade que os
militares estaduais também pesquisam, escrevem, produzem conhecimento, fazem
poesia e ciência. Temos mestres, doutores e pesquisadores que contribuem para a
sociedade por meio da produção intelectual.”
O acadêmico e fundador da ALMEP, coronel
Batista Lima, destacou o caráter formativo do encontro. Segundo ele, o
congresso proporcionou uma rica troca de experiências entre representantes de
academias de diversos estados, permitindo o compartilhamento de conhecimentos
em áreas como literatura, liderança e produção intelectual.
“Estivemos reunidos com 14 entidades
congêneres e percebemos o entusiasmo de todos nas palestras e debates.
Discutimos poesia, técnicas literárias, liderança e outros temas que ampliam
nossa visão e fortalecem o trabalho desenvolvido pelas academias”, afirmou.
Batista Lima ressaltou ainda que parte
importante do evento aconteceu fora dos auditórios, nos momentos de convivência
e intercâmbio entre os participantes.
Mulheres, cultura e memória
A participação feminina também marcou os
debates do congresso. Integrante da Academia Potiguar de História e Cultura
Militar e da ALMEBRAS, Martha Carvalho destacou a importância da literatura
como ferramenta de preservação da memória e de valorização de trajetórias
muitas vezes invisibilizadas.
“Eventos como este fortalecem a
literatura e ampliam o diálogo para além do ambiente militar. A produção
literária é uma forma de preservar histórias, registrar experiências e
compartilhar conhecimento.”
Programação reuniu palestras, oficinas
e apresentações culturais
Entre os destaques da programação
estiveram a conferência magna sobre preservação dos espaços de memória,
oficinas de poesia, liderança e educação financeira, lançamentos de livros,
apresentações culturais e debates sobre patrimônio histórico e identidade das
forças públicas.
No segundo dia do congresso, a
programação incluiu palestras sobre a trajetória de Euclides da Cunha,
patrimônio sonoro das corporações militares, reuniões estratégicas entre as
academias estaduais e homenagens a personalidades civis e militares que contribuem
para a preservação da memória e da cultura.
O encerramento contou ainda com a
divulgação da cidade-sede do III CONAMBRAS, previsto para acontecer em 2027, em
Palmas, no Tocantins.
Mais do que um encontro acadêmico, o
congresso buscou consolidar uma rede nacional dedicada à preservação da memória
institucional, ao incentivo à leitura e à valorização da produção intelectual
de policiais e bombeiros militares, aproximando esse patrimônio cultural da
sociedade brasileira.




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